Familiares de vítimas da Kiss pedem apoio a ministra em Porto Alegre

Ministra dos Direitos Humanos viajou para Porto Alegre na sexta-feira (7).
Familiares também se reuniram para manifestação silenciosa em parque.

Tatiana LopesDo G1 RS
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Maria do Rosário recebeu familiares em Porto Alegre (Foto: Arquivo Pessoal/AVTSM)Maria do Rosário recebeu familiares em Porto Alegre
(Foto: Arquivo Pessoal/AVTSM)
Familiares de vítimas do incêndio na boate Kiss viajaram de Santa Maria a Porto Alegre neste sábado (8) para fazer mais uma manifestação e encontrar a ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário, que cumpre agenda na capital gaúcha desde sexta-feira (7). Antes do protesto, o grupo se reuniu com a ministra em um hotel no centro da capital e pediu que ela acompanhe o processo sobre a tragédia em Brasília.
Segundo Adherbal Ferreira, presidente da Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), o encontro foi proveitoso. "Falamos sobre a questão dos atendimentos em Santa Maria, e ela comentou da vontade de fazer um centro de referência completo, com apoio psicológico e médico", relatou.
De acordo com a assessoria da ministra, Maria do Rosário evitou prometer ações, mas garantiu que dará atenção às reivindicações e tratará, em Brasília, de uma forma de melhorar os atendimentos aos familiares e aos sobreviventes.
Os familiares também pediram para que a ministra acompanhe o processo sobre o incêndio em Brasília. O processo criminal vai julgar em separado os acusados por fraude processual e falso testemunho – que podem fazer acordos e não ir a julgamento – e os réus por homicídio, que ficaram presos até 29 de maio.
O Ministério Público de Santa Maria avisou que vai recorrer da decisão do Tribunal de Justiça, que concedeu liberdade provisória aos quatro. O recurso vai ser encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo Adherbal Ferreira, cerca de 40 pessoas se deslocaram de ônibus de Santa Maria a Porto Alegre. No parque Farroupilha, após o encontro com a ministra, eles se juntaram a outras pessoas, moradoras de Porto Alegre. A manifestação, segundo ele, foi em silêncio. "Ficamos parados em silêncio, com cartazes, por pouco mais de uma hora", disse ele, que perdeu a filha Jeneffer na tragédia. O incêndio na casa noturna, em 27 de janeiro, resultou em 242 mortes.
Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 242 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco.
O inquérito policial indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12. Já o MP denunciou oito pessoas, sendo quatro por homicídio, duas por fraude processual e duas por falso testemunho. A Justiça aceitou a denúncia. Com isso, os envolvidos no caso viram réus e serão julgados. Dois proprietários da casa noturna e dois integrantes da banda foram presos nos dias seguintes à tragédia, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em 29 de maio.
As primeiras audiências do processo criminal foram marcadas para o fim de junho. Paralelamente, outras investigações apuram o caso. Um inquérito Policial Militar analisa o papel dos bombeiros no caso, desde a concessão de alvarás e a fiscalização do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) até o atendimento aos feridos na tragédia. A investigação deve ser concluída nos próximos dias, segundo a Brigada Militar.
Na Câmara dos Vereadores da Santa Maria, uma CPI analisa o papel da prefeitura e tem prazo para ser concluída até 1º de julho. O Ministério Público ainda realiza um inquérito civil para verificar se houve improbidade administrativa na concessão de alvará e na fiscalização da boate Kiss.
Veja as conclusões da investigação
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
- As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
- O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
- A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
- Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
- A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
- As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
- A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
- Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
- As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
- Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruídas