Em artigo, colunista da Folha de S.Paulo Cristina Grillo aborda a censura contra gays na TV

28/07/2011 - 14h30

RIO DE JANEIRO - Dois fatos da semana passada nos fazem lembrar que a censura está sempre à espreita, aguardando uma brecha para se insinuar.

Primeiro: a TV Globo decidiu eliminar da trama da novela "Insensato Coração" todas as referências ao relacionamento de um casal gay.

O namoro entre os personagens Hugo e Eduardo vinha sendo conduzido pelos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares de forma a discutir a questão da homofobia sem cenas apelativas.

Em tempos nos quais pai e filho são agredidos por se abraçarem em público, sob suspeita de serem homossexuais, como aconteceu no interior de São Paulo, o relacionamento equilibrado, amoroso, de um casal gay é censurado.

Os personagens gays estereotipados, aqueles das piadas, estes são mantidos.

Segundo: uma liminar concedida na sexta pela Justiça do Rio, a pedido do DEM do Rio, proibiu uma sessão de "A Serbian Film - Terror sem Limites" que seria exibido sábado em um festival de cinema.

O filme é polêmico. Tem cenas de violência sexual e pedofilia e foi proibido em vários países europeus. Em outros, foi liberado após o corte de vários trechos.

O DEM argumenta que o Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a exibição de cenas de exploração sexual de menores.

Mas o artigo 220 da Constituição Federal estabelece que "é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística".

É um bom imbróglio jurídico. O que deve prevalecer?

Sem dúvida, temos que proteger crianças e adolescentes. Mas compensa proibir a sessão única de um filme, que tinha ingressos sobrando e que já havia sido exibido em Porto Alegre e São Luís, ou isso só aumentará o interesse por seu teor?

Ou incentivará o apetite por brechas nas quais a censura poderá se insinuar?


Fonte: Folha de S.Paulo 

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