Da Redação
Um funcionário do Pronto-Socorro de Cuiabá bateu a porta na cara de um grupo de sete vereadores que foi ao local acompanhado de jornalistas, na tarde desta quinta-feira (06), para averiguar de perto as reclamações de usuários contra os procedimentos da equipe de segurança de uma empresa terceirizada que passou a operar na unidade no dia 1º de junho. A atitude do servidor que mostrou total despreparo para o serviço, ocorreu após o vereador e médico Ricardo Saad que propôs a vistoria, questionar a “ordem” dada por ele para que os parlamentares saíssem da entrada da guarita e esperassem do lado de fora do muro a resposta do supervisor da Integral Segurança, empresa responsável pelos serviços, se a entrada seria permitida ou não.
O servidor identificado apenas pelo nome de Marcos estava acompanhado de um vigilante uniformizado da empresa e questionou o que o parlamentar e os demais integrantes do grupo foram fazer no Pronto-Socorro. Após a identificação e a explicação dada por Saad, o segurança foi chamar seu supervisor deixando o servidor do PS no local que por sua vez afirmou de imediato que ninguém entraria na unidade.
Diante da recusa dos vereadores em deixarem o local, Marcos puxou as 2 portas da guarita e as bateu violentamente na cara do vereador. A cena foi presenciada por todo o grupo e filmada pelos jornalistas que acompanhavam a visita.
Após o clima de tensão, outro servidor, do setor logística do PS conduziu o grupo de parlamentares para relatar o ocorrido ao diretor administrativo da unidade, Celso Vargas. Saad explicou que a visita foi motivada para averiguar o atendimento aos usuários e funcionários que tem apresentado diversas queixas sobre os procedimentos que incluem revista pessoal e vistoria nas bolsas e sacolas, tanto de servidores como de visitantes.
Ricardo Saad relatou o caso de uma repórter fotográfica que denunciou ter sido agredida por um vigilante na última segunda-feira (03) quando fazia fotos na parte externa e também pontuou que recebeu reclamações em seu gabinete outras 2 pessoas que registraram boletim de ocorrência na Polícia afirmando terem sido agredidas.
Ele considerou gravíssima a falta de preparo de pessoas para atender quem entra na unidade, seja para trabalhar, para visitar alguém ou em busca de tratamento. “Sou médico e tenho prerrogativa de entrar e sair daqui a qualquer momento e minha condição de vereador também me permite entrar em qualquer órgão público para visitar ou averiguar uma denúncia. Depois de levar uma porta na cara eu saio com a certeza de que todas as reclamações que recebi são verdade”, afirmou Saad prometendo ligar para o prefeito para tomar uma atitude em relação ao caso.
Na manhã desta quinta-feira ele já havia apresentado requerimento à prefeitura de Cuiabá cobrando todos os detalhes sobre a contratação da empresa, os motivos e forma de atuação. Além de Saad, o grupo era composto pelos vereadores, Allan Kardec, Arilson da Silva, Lilo Pinheiro, Maurélio Ribeiro, Oséas Machado e Renivaldo Nacimento. `
Diretor administrativo do Pronto-Socorro, o médico Celso Vargas lamentou o fato e afirmou que foi uma atitude individual do servidor que será avaliada e ele responderá por sua ação. “É lamentável, nada justifica o constrangimento. Não tenho palavras para tentar justificar essa ação, pois treinamos todos os servidores para garantir a integridade física de todos que entram nesta unidade. Ele pontuou que empresa terceirizada foi contratada devido as constantes ameaças sofridas por médicos e enfermeiros. A contratação já vinha sendo discutida diante dos pedidos dos usuários e foi adiantada após um traficante ter ameaçado 2 médicos na madrugada do dia 31 de maio.
De acordo com Vargas, o criminoso acompanhava um paciente e saiu do local jurando que voltaria e mataria toda a equipe que atiraria em todos os servidores que encontrasse pela frente. Uma equipe da Polícia Militar foi acionada e fez a guarda do PS até o dia seguinte quando a Integral Segurança foi contratada.
Supervisor das equipes da empresa que atuam no PS, o vigilante Hercy Leite de Souza disse que não estava autorizado a falar em nome da empresa, mas ressaltou que a agressão contra os vereadores não partiu de seu subordinado que agiu da forma correta ao chamá-lo para ver o que poderia ser feito. Garantiu ainda que todos são preparados para agir dentro da legalidade sem agredir qualquer pessoa. São 12 vigilantes mais o supervisor que se revezam em turnos de 12 horas, sendo que 6 seguranças atuam das 6h às 18h e outros 6 vigilantes assumem o período da noite saindo no dia seguinte.





