Um dia após entregar ao Governo a carta de demissão do cargo de diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot revelou que vai abrir uma empresa de consultoria para atuar com projetos na área de navegação. A informação é do site G1.
Indicado pelo senador Blairo Maggi (PR) para o cargo, Pagot foi afastado no começo do mês, após a revista Veja denunciar a existência de um esquema de pagamento de propinas à cúpula nacional do Partido da República. O pagamento seria feito pelo próprio DNIT, via empreiteiras. As denúncias também atingiram a Valec, estatal das ferrovias, cuja cúpula também caiu.
"Estou começando vida nova. Já estou na iniciativa privada. Vou abrir uma empresa de consultoria de projetos na área de navegação. Já estou muito envolvido e discutindo projetos de navegação no Rio Tapajós. Não posso parar. No final do mês vencem as contas", disse Pagot, em entrevista ao site da Rede Globo.
O ex-diretor, que estava de férias do órgão desde 4 de julho, anunciou sua decisão de pedir exoneração na segunda (25), um mês após o surgimento de denúncias de superfaturamento em obras do Ministério dos Transporte, que já provocaram a queda de 18 integrantes da pasta.
Pagot disse que sua nova empresa já está trabalhando em projetos de navegação para o Rio Tapajós e para os rios Paraná-Paraguai, na fronteira.
"Tem muita gente que mexe com isso [navegação], mas que conhece [o ramo] são poucos. E não é falsa modéstia, mas entendo disso como poucos. Estudei muito, continuei me aperfeiçoando. Agora volto para exercer o que tenho de expertise", afirmou na emtrevista.
Ainda segundo o ex-diretor, os planos de voltar para iniciativa privada já eram conversados com o senador Maggi, para quem já trabalhou no passado e de quem foi assessor direto, quando o republicano era governador de Mato Grosso.
"Já tinha conversado com o senador Blairo Maggi. O meu horizonte no DNIT era o final de 2011. Então, a partir dessa ideia, vou tocar os projetos. Pode até ser que no futuro eu volte a trabalhar com o senador, depende das propostas, mas preciso voltar a iniciativa privada, fazer um rearranjo no DNA da minha vida", completou.
Grupos no DNIT
Agora fora do cargo, o ex-diretor afirma que sempre teve de lidar com um "grupo" dentro do DNIT que queria vê-lo "pelas costas". Perguntado se o grupo seria liderado por algum partido, Pagot disse que nunca olhou a filiação partidária dos quadros do DNIT.
"Infelizmente, têm grupos dentro do DNIT que, desde que entrei lá, querem me ver pelas costas. Tem um grupo que tinha áreas de comando dentro do Dnit e perdeu essas áreas de comando. Não tem PT, PR ou PMDB. Não faço essa diferenciação. Eram grupos que estavam muito tempo empastelados, produzindo pouco, dando dificuldade, e perderam espaço, quem não queria trabalhar eu troquei. São esses caras que começaram a minar o trabalho, passam informação falsas", afirma.
A exemplo do que fez em depoimentos no Congresso, Pagot voltou a reconhecer que existiam irregularidades no Dnit, mas disse que sempre atuou para combater os "safados" do órgão: "Infelizmente, nesse grupo de abnegados, tem os safados, que eu procurei sempre que descobri alguma coisa, abrir processo administrativo."
Perguntado se teria deixado o governo fazendo ameaças ou passando recados velados, Pagot negou: "Não sou homem de dar recados, não sou homem de falar em off, o que tenho que falar, falo na frente seja a presidente da República, seja quem for."
Críticas ao Governo
Pagot centrou artilharia em órgãos ambientais ou de proteção indígena do governo, como Ibama e Funai. Para ele, os órgãos de controle como Polícia Federal, Tribunal de Contas da União e Controladoria-Geral da República deveriam realizar uma ampla fiscalização nesses órgãos. Segundo Pagot, mudanças em obras sugeridas por órgãos ambientais teriam atravancado e encarecido obras do DNIT.
"O DNIT sempre teve grandes dificuldades de licenciamento ambiental. É um verdadeiro achaque principalmente da Funai e de setores do Ibama. É uma covardia com o contribuinte brasileiro. Entre cumprimentos de medidas ambientais, gerenciamento e supervisão de mudança de escopo em obras, o povo brasileiro vai pagar neste ano R$ 500 milhões. Isso, sim, mereceria um levantamento da Polícia Federal, da CGU, para ver onde vai esse rio de dinheiro", afirmou.
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