Democrata acusa colega de fazer manobra para ser prefeito


Andréa Haddad, Enviada Especial a Tangará da Serra


Celso Ferreira e Miguel Romanhuk, presidente da Câmara, trocam acusações e expõem "racha" no DEM de Tangará
    A instabilidade política em Tangará da Serra, envolvendo o prefeito afastado Júlio César Ladeira (PR) e o gestor em exercício José Jaconias (PT), gera troca de acusações entre os vereadores do DEM, partido presidido no município por Jaime Muraro, cassado em 2002 quando comandava o Executivo. Ele é cunhado do presidente da Câmara, Miguel Romanhuk (DEM), acusado pelo vereador Celso Ferreira, do mesmo partido, de “arquitetar” a instalação da Comissão Processante (CP) pela Casa para investigar e emitir parecer pela cassação ou não dos mandatos de Ladeia e Jaconias. “É um jogo político para assumir a prefeitura muito rápido e por pessoas que não foram eleitas para isso, mas que querem assumir definitivamente”, denuncia Ferreira, um dos quatro vereadores também investigados pela CP.
     Pré-candidato à sucessão municipal em 2012, ele argumenta que as investigações de improbidade administrativa, tráfico de influência e recebimento de até R$ 35 mil de propina em 2009, para aprovação do projeto que previa a contratação da Oscip Idheas, não passam de uma retaliação contra Ladeia, que assumiu a prefeitura após o grupo de Muraro deixar o poder. “A Justiça até agora não chegou em Tangará da Serra, tem muita coisa escondida, o que acontece é uma verdadeira caça às bruxas”, aponta Ferreira.
     Ele é investigado junto com os vereadores Genilson Kezomae (PR), Haroldo Lima (DEM), Paulo Porfírio (PR), além do suplente Célso Roberto Vieira (PP), à época no exercício do mandato, Ladeia e Jaconias. A expectativa é de que o relatório da CP seja remetido à Mesa Diretora até 18 de julho.
-----------------------------------------"É um jogo político para assumir a prefeitura muito
rápido e por pessoas que não foram eleitas para isso"
Celso Ferreira
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     Ferreira aproveita para negar o envolvimento no suposto esquema. “Não tenho o poder de fazer pagamento de cheque, quem é o ordenador de despesa é o Executivo. Colocaram os nomes dos cinco vereadores de forma covarde na CEI (Comissão Especial de Investigação)”, reage. Ele também questiona a não inclusão dos nomes de Miguel e do vereador Roque Fritzen (PDT) no rol de parlamentares acusados pela CEI, comissão responsável pelo relatório que culminou na instalação da CP pela Casa. “Somos investigados por termos votado a favor da contratação da Oscip, mas (por esta lógica) teriam que ser sete parlamentares porque, no mesmo ano, o Miguel e o Rique foram favoráveis a dois projetos que liberaram pagamento superior a R$ 1 milhão à Oscip Idheas”, defende.
     Mesmo com parecer jurídico contrário, a mensagem com solicitação de crédito suplementar de R$ 1,4 milhão para quitar débitos com a entidade foi aprovada em dezembro de 2009, com os votos de Miguel, Roque, Celso Ferreira, Celso Vieira, Genilson, Haroldo e Paulo. Um dia depois chegou à Câmara, e também recebeu o aval dos mesmos vereadores, o pedido de liberação de R$ 896,942 mil para custear despesas com a Oscip. Diante disso, Ferreira diz que os membros da CEI, João Batista Neru de Almeida, o João Negrão (PMDB), presidente, José Pereira Filho, o Zé Pequeno (PT), relator, e Melquizedeque Ferreira Soares, o Zedeca (PMDB), membro, esconderam a verdade por deixar de incluir Miguel e Roque no relatório. “O presidente da CEI e o relator foram omissos”, sustenta.
 
Trecho do relatório da Comissão Especial de Investigação da Câmara que acusa 4 vereadores e 1 suplente
Contraponto
     Miguel rebate as acusações do colega de partido e garante cumprir as atribuições impostas ao presidente da Câmara pelo Regimento Interno. “Quem sou eu para mandar na Polícia Federal? Isso é desespero. A população me elegeu para fiscalizar, não fui presidente, relator ou membro da CEI”, argumenta. Ele nega disputas internas no DEM de Tangará da Serra, mas aproveita para cutucar Celso Ferreira ao dizer que o partido não aceita corrupção. “Não tem racha no DEM, o partido não aceita é corrupção. Ele (Celso Ferreira) foi chamado para uma reunião, mas não tem racha, só se for no pensamento dele”, alfineta. 
     Segundo ele, não passa de "dor de cotovelo" a acusação de que só coloca em votação projetos de interesse pessoal. “Ciúmes de homem é a pior coisa que tem. Sou presidente e cumpro o regimento”, defende-se. Procurado pelo RDNews, Roque Fritzen não quis comentar o assunto.  

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