PM expulsa soldado acusado de execução

Jovem foi morta grávida de 8 meses, no ano passado. Claudemir Salles era casado e mantinha caso com Ana; ex-militar está preso em Santo Antônio



Para Corregedoria, fatos e provas surgidas na investigação são suficientes para retirá-lo da Coorporação
JOANICE DE DEUS
Da Reportagemhttp://diariodecuiaba.com.br/
Em portaria (nº 260) publicada no último dia 22 deste mês, o Comando Geral da Polícia Militar excluiu do quadro da corporação o soldado Claudemir de Souza Salles, acusado de assassinar a corretora de imóveis Ana Cristina Wommer, 24 anos, em agosto de 2010. Ela estava grávida de oito meses e foi encontrada morta em um matagal às margens da BR-364, na saída de Cuiabá para Rondonópolis.

“O Comando da Polícia Militar entendeu que as provas são suficientes para a punição administrativa. E, como o fato é de extrema gravidade, decidiu-se pela exclusão”, disse o corregedor-geral da PM, coronel Joelson Sampaio. O documento é assinado pelo comandante-adjunto, coronel Jorge Catarino Morais Ribeiro, em substituição por motivo de saúde ao coronel Osmar Lino Farias. Sales ainda pode recorrer administrativamente, além de na Justiça Militar.

Ana Cristina e Salles, que está preso, mantinham um relacionamento extraconjugal há cerca de um ano. Ela teria sido morta porque o ex-PM não queria assumir o bebê. Após o crime, um exame de DNA comprovou que o ex-PM não era pai da criança e a família da jovem contestou o resultado. Durante depoimento o soldado alegou não ter nenhuma relação com o crime.

Em outubro de 2010, o acusado foi indiciado por homicídio qualificado, aborto provocado e ocultação de cadáver. O caso corre em segredo de justiça. O ex-candidato a deputado estadual, Davi Nascimento, 27, amigo de Salles, também foi indiciado como co-autor do crime.

Para a decisão a PM levou em consideração depoimentos de testemunhas como o da amiga da corretora, Viviane Letícia Gomes da Silva, que disse que no mesmo dia do sumiço de Ana Cristina, por volta das 22h, acompanhou a família da vítima até o Batalhão do Porto, local onde trabalhava o acusado, e lá percebeu que Salles estava nervoso, suando frio e tremendo, apresentava conduta anormal, tendo afirmado perante todos que fazia cinco dias que não tinha contato com a Ana.

Outro depoimento foi da esposa do acusado, Juliana Alice Becker, que informou que no dia do crime, por volta das 7h30, ao se levantar, não encontrou seu esposo na sua residência. “Fatos que comprovam que o acusado não estava em sua residência no horário do crime”.

Corrobora com isso a quebra de dados telefônicos de Salles que constam inúmeras ligações para vítima até três dias antes do assassinato, em 19 de agosto de 2010. “Nesse passo demonstra a crueldade e frieza do acusado, que não tem limites, pois, mesmo depois de matar a vítima (Ana), se apropriou do seu celular, e com intuito de buscar um álibi para se esconder da autoria do crime, continuou no dia 22 (domingo), efetuando ligações do celular da vítima para o seu próprio celular, visando com isso simular uma situação de que a vítima (Ana) não estaria morta e que permaneceu durante todo o dia lhe atormentando”, relatou o comando na decisão.

Também é levado em conta o fato de Salles ter mandado lavar o carro, um Gol preto, em um lava-jato e que o lavador Jonilce Santos de Moraes afirmou ter sentido um odor forte no interior do veículo. Além disso, o resultado do laudo pericial realizado no Gol foi positivo para sangue humano. Com a exclusão, o ex-soldado está fora da folha de pagamento.

OUTRA EXCLUSÃO – No mesmo dia, o Comando da PM também exclui o 3º sargento PM Ademarques Ivo de Almeida, que exigia de empresários da região do Coxipó vantagem indevida (dinheiro) em troca de não terem suas cargas de madeira vistoriadas e apreendidas. A denúncia foi feita pelo empresário Vanderley Luiz Hoffamann, em 2008. O fato ocorreu na MT-040, saída para Santo Antônio de Leverger. Os valores cobrados para liberação dos caminhões com carga de madeira iam de R$ 250 a R$ 1.250, além de um montante mensal de R$ 3 mil. Apenas neste ano, 40 militares já foram excluídos do quadro da PM. Em 2010, ocorreram 16 exonerações. 

0 Comments:

Postar um comentário

Para o Portal Todos Contra a Pedofilia MT não sair do ar, ativista conclama a classe política de MT
Falta de Parceiros:Falsos militantes contra abuso sexual e pedofilia sumiram, diz Ativista
contato: movimentocontrapedofiliamt@gmail.com