Jovens refazem a sua história

Por meio da iniciativa, vítimas de abuso e exploração sexual têm a oportunidade de lutar por um futuro melhor

"Quando era para eu brincar de boneca, brincaram comigo. De vez em quando, as lembranças vêm e você fica meio louca". O depoimento é de uma jovem de 21 anos vítima de abuso sexual na infância.

Maria (nome fictício) ainda busca superar os traumas da violência. Aos poucos, vai tentando amenizar esta dor, que, segundo ela, não será nunca curada. Contudo, apesar dos desafios, a menina busca uma vida melhor, mais digna, e um futuro tranquilo e promissor. Assim, por meio do projeto ViraVida, promovido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), jovens como Maria ganham a chance de conquistar esses objetivos e mostrar que são capazes, até mesmo, de perdoar.



A ação promoveu, ontem, o primeiro Seminário Sobre Protagonismo - ViraVida em Minha Vida. O projeto também realiza cursos Foto: Viviane Pinheiro

Em Fortaleza, a iniciativa, lançada em 2008, conta com a participação de 500 adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual. A ação, cuja ideia é criar oportunidades para que estes jovens possam reescrever a sua história e entrar no mercado de trabalho, realizou, ontem, o primeiro Seminário Sobre Protagonismo - ViraVida em Minha Vida.

Transformação social

Elísio Celestino, coordenador operacional do projeto no Ceará, explica que o ViraVida trabalha, em especial, o enfrentamento da violência sexual infantojuvenil, mostrando direitos e deveres, e ainda a capacidade destes jovens na transformação pessoal e social. As atividades desenvolvidas se voltam para a realização de cursos profissionalizantes, acompanhamento psicológico, psicossocial e pedagógico.

"Esses adolescentes atuam como agentes transformadores em seus meios. Além disso, família e comunidade também participam das ações, como encontro mensais, promoção do resgate da autoestima e cursos para geração de renda".

Segundo o coordenador, instituições parceiras que já atendem esses adolescentes os encaminham para o projeto, no qual é levantado o perfil deste jovem e, posteriormente, formam-se as turmas. Contudo, informa, a demanda é grande. "O nosso ponto forte são os cursos profissionalizantes, como gastronomia e para recepcionistas. Cerca de 79% dos participantes do projeto estão empregados e 100% voltaram para o ambiente escolar".

Iniciado no Ceará, como projeto-piloto, o ViraVida está presente em 13 Estados brasileiros, já tendo atendido mais de dois mil adolescentes. Jair Meneguelli, idealizador da ação, afirma que a ideia é ampliar o projeto para os demais Estados e, quem sabe, importar para os outros países, como El Salvador, que já demonstrou interesse.

"Esses jovens chegam ao projeto sofridos, machucados e saem transformados, acreditando que é possível ter um futuro melhor. Destes, 80% foram abusados por familiares. Este é um problema mundial crescente".

Disque 100

Balanço, elaborado, neste mês, pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, revelou que as denúncias no Disque 100, serviço para informações de violência contra crianças e adolescentes, cresceram 68%, no Ceará, comparando os meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2011 com o mesmo período deste ano, passando de 920 para 1.546.

Assistência

500 jovens são atendidos pelo ViraVida apenas em Fortaleza. O projeto, realizado em 13 Estados brasileiros, já beneficiou mais de dois mil adolescentes

JÉSSICA PETRUCCI
REPÓRTER

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