“Infame e desleal”, reage Perillo sobre Época

“Infame e desleal”, reage Perillo sobre ÉpocaFoto: Lula Marques/Folhapress

SENADORES RANDOLFE RODRIGUES (PSOL-AP) E PEDRO TAQUES (PDT-MG) PROTOCOLAM CONVOCAÇÃO DO GOVERNADOR À CPI NA CONDIÇÃO DE RÉU; MARCONI ALEGA QUE ESTADO PAGA EM DIA A TODOS OS FORNECEDORES; ELE VÊ A CPI COMO "TRIBUNAL DE EXCEÇÃO COM UM ALVO SÓ: O GOVERNADOR DE GOIÁS"

16 de Julho de 2012 às 18:05
247 – Enquanto os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MG) anunciavam para a tarde desde segunda-feira 16 o protocolo de um requerimento para pedir a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), à CPI do Cachoeira, o próprio Perillo expedia, por meio da assessoria de imprensa do governo, nota em que classificou como "infame e desleal" a afirmação feita na revista Época desta semana de que pagamentos em dia à empreiteira Delta corresponderiam a comissões pagas ao governo goiano.
O requerimento dos senadores visa convocar Perillo à CPI na condição de réu. Eles também pretendem pedir ao presidente da CPI Mista, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que seja realizada uma reunião extraordinária ainda esta semana para que a convocação de Perillo seja votada. Caso a reunião não aconteça, o requerimento só poderá ser apreciado pelos parlamentares que integram a CPI depois do recesso, no mês de agosto.
Abaixo, notícia publicada pelo portal G1 sobre a reação do governador de Goiás às acusações feitas na reportagem de Época:
O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), classificou como "infame e desleal" a afirmação de um suposto acerto para que o atual governo do estado pagasse em dia as faturas da empresa Delta. Em nota enviada à imprensa nesta segunda-feira (16), reafirmou não ter tratado da venda da casa com a empreiteira nem com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo.
Na edição desta semana, a revista Época apresenta escutas gravadas pela Polícia Federal que, de acordo com a reportagem, comprovariam os elos entre o esquema de Cachoeira e o governador de Goiás. De acordo com a publicação, a negociação da venda da casa estava ligada à liberação de recursos para a empreiteira.
Na nota, o tucano alega que os pagamentos mencionados pela revista referem-se a um contrato de locação de veículos, firmado pelo governo anterior, e são feitos de forma continuada, por se tratar de serviços regulares. A Delta recebe mensalmente, de acordo com contrato de locação de veículos, R$ 3,2 milhões do governo goiano.
A atual administração "cumpre rigorosa e pontualmente seus compromissos com fornecedores e prestadores de serviços", diz a resposta do governo, que nega favorecimento à empresa ligada a Cachoeira.
Casa
A venda da casa que pertenceu a Perillo, onde Cachoeira foi preso, em um condomínio de luxo em Goiânia, continua alvo de polêmica. Novas transcrições, publicadas na revista, mostram o contraventor preocupado em deixar o imóvel.
"Em relação à venda da casa, todos os relatos feitos pelos participantes da transação confirmam o que o governador Marconi Perillo afirmou desde a primeira vez que se pronunciou sobre o assunto", diz a nota. O texto afirma ainda que, se o ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), suposto comprador inicial do imóvel, tratou do assunto com mais pessoas, não teve o conhecimento do chefe do executivo goiano.
Quanto aos cheques usados no pagamento do imóvel, o tucano reafirmou que não cabe a ele, "como a qualquer outra pessoa que esteja se desfazendo de um bem", investigar a origem dos recursos. A casa foi paga com cheques da empresa da mãe de um sobrinho de Cachoeira.
A nota também critica "um grupo dentro da CPMI que trata de transformá-la em tribunal de exceção com um só alvo: o governador de Goiás". Perillo afirma sofrer perseguição política por ser adversário do PT.
Após novas denúncias, os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) querem convocar Perillo a depor novamente na CPI Mista que investiga as relações de Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários.

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