Em busca do tempo querido

Vê-se nos dias correntes a corrida dos mais diversos partidos políticos atrás de aliados. Essa atitude, em se tratando de partidos políticos, é totalmente destoante do que se espera de partidos, de políticos e dos princípios que devem nortear a criação e a existência de um partido. Partido que, pela identidade onomástica deve representar anseios de parte, minoria ou maioria, da população. 

Assim, os partidos que tem no nome trabalhismo ou trabalhadores deve manter-se firme nas suas raízes de defender os trabalhadores em todo o seu amplo leque de necessidades. Outros, progressistas, sociais e de outras denominações devem/deveriam fazer jus aos seus nomes e os propósitos que nortearam a sua criação. Mas, surrealista, o Brasil se entrega sem culpas à orgia política em que as coligações surpreendem, mas não se acanham. E assistimos à briga hercúlea de diversos partidos, cá em Cuiabá, para indicarem, pasmem!, os vices. 

Ora um partido que se esmera em indicar vices de candidatos de outros partidos coloca a sua ideologia na gaveta e a tranca a sete chaves com medo de quaisquer menções a ela provocar urticária nos seus dirigentes. Triste, muito triste, para nós, eleitores. 

Quanto aos políticos, estes entram e se aboletam em quaisquer siglas partidárias ainda que isso, sob um olhar acurado, configure-se em um descompromisso total entre a identidade própria do indivíduo com a sigla que o acolhe. Talvez o maior exemplo disso tenha sido a filiação do senador mato-grossense Blairo Maggi no PPS, cujo expoente nacional, ao menos à época, era o Roberto Freire. Pois bem, o PPS deriva do PC do B e, salvo ilusão minha, o Roberto Freire foi candidato algumas vezes pelo partido comunista como candidato comunista, normal para ele Roberto Freire. Anormal foi, ao menos externamente, a convivência de um dos maiores capitalistas do mundo, senador do povo mato-grossense, com um comunista histórico. Seria curioso saber como se sentiam na convivência e se a questão ideológica em algum momento interferiu na relação. Se sim, natural, se não, esquisita. 

A questão do tempo da propaganda política leva Lula a se alinhar fisiologicamente com Maluf, o que se nos configura como uma mistura de água e azeite. A reforma política, vê-se, é necessária para que esses nós de incoerência não se efetivem no cenário político brasileiro. É necessária uma revolução Luterana, não no sentido religioso, mas no sentido de mudança comportamental para todo o sempre, em que a relação dos candidatos a líderes com o povo que vota em busca de melhorias se transforme para melhor. Para isso seria interessante que se explicitasse o que cada partido e cada candidato almeja fazer em prol desse povo trabalhador e que se desilude a ponto de poucos meses após as eleições não se lembrar do candidato em que votou. 

Necessita-se de uma Pedagogia das eleições, didática, comunicativa e propositiva. Sem isso, a referência Luterana; o que se vê hoje configura-se como uma anomalia tão igual ou maior que uma venda de indulgencias, ineficiente para a salvação e eficiente para empulhação. 

A privatização das águas cuiabanas é outro ponto de reflexão. Enquanto amiudadamente aparecem noticias sobre o governo americano brigando contra as empresas de Bill Gattes para que não se criem monopólios, num comportamento que, os estudiosos me ajudem, vem desde a invenção do telefone em que o governo quebrou a companhia de Graham Bell em três para que a população não ficasse refém de uma só, aqui em Cuiabá dá-se exatamente o contrário. O monopólio estatal, controlado por instituições públicas é substituído por um monopólio privado. 

Mas o Brasil é assim, por uma necessidade boba de se posicionar no mundo como detentor das maiores companhias de diversos produtos, permite fusões de grandes redes de supermercados, de bebidas. A propósito da privatização, concessão ou o termo eufemístico qualquer para o ato de privatizar serviços da Sanecap e considerando que poderia ser uma boa ideia, esta não poderia ser efetuada de maneira tal que, ao mínimo quatro companhias executassem o serviço. Exemplo: as companhias poderiam ser uma da região norte, outra da região sul e por consequência da oeste e da leste. 

Ao menos poderíamos cotejar se o trabalho de uma está melhor que a outra. Estímulo à concorrência para uma prestação de serviços de qualidade. Talvez o Brasil precise disso. Pequenas atitudes, grandes mudanças. 

*ELESBÃO MORENO DA FONSECA - engenheiro civil 

elesbaomoreno@uol.com.br 

0 Comments:

Postar um comentário

Para o Portal Todos Contra a Pedofilia MT não sair do ar, ativista conclama a classe política de MT
Falta de Parceiros:Falsos militantes contra abuso sexual e pedofilia sumiram, diz Ativista
contato: movimentocontrapedofiliamt@gmail.com