
Bárbara e Marco Polo, do instituto Mark, avaliam o cenário das candidaturas majoritárias em Cuiabá
Os empresários Marco Polo e Bárbara Pinheiro, proprietários do instituto Mark, que há seis anos divulga com exclusividade em parceria com o portal RDNews pesquisas sobre intenção de voto e acerca das administrações públicas, apontam um quadro curioso à sucessão em Cuiabá, com quatro candidatos brigando pela segunda colocação. Avaliam que, um eventual segundo turno, já que Mauro Mendes (PR) lidera com ampla vantagem, só tende a acontecer se algum dos 4 concorrentes - Guilherme Maluf (PSDB), Lúdio Cabral (PT), Carlos Brito (PSD) e o Procurador Mauro Lara (Psol) -, se distanciar dos demais com os quais está "embolado", vindo a se consolidar como segundo colocado e mais próximo do socialista.
Neste início de campanha, o casal faz análise consistente dos principais nomes que estão na corrida ao Palácio Alencastro. Vê pontos positivos e também questões contraditórias que podem até complicar eleitoralmente cada um deles. Considera que o grande trunfo de Mauro está no encontro das forças políticas, com os senadores Pedro Taques (PDT) e Blairo Maggi (PR) no palanque. De Lúdio, aponta o peso das máquinas dos governos Silval Barbosa (PMDB) e Dilma Rousseff (PT). De Maluf, o espólio do PSDB, que tradicionalmente representa entre 15% e 20% do eleitorado cuiabano. Considera que Brito tem a vantagem de contar com o presidente da Assembleia José Riva e com o vice-governador Chico Daltro e com uma chapa forte de proporcionais. A esperança do procurador Mauro vem dos votos de protesto.

Chico Daltro, Carlos Brito, Paulo Roberto e Riva, na convenção
Carlos Brito - No caso de Brito, Bárbara e Marco Polo consideram que o ex-deputado está tentando se reencontrar politicamente. Enfatizam que Brito perdeu a ligação da história política, pois veio do movimento comunitário, era ligado ao ex-prefeito Roberto França e agora busca encontrar abrigo em um novo grupo cujo líder é Riva. Acreditam que a candidatura de Brito serve para colocar o recém-criado PSD na pauta e, ao mesmo tempo, levar o ex-tucano e ex-socialista a encontrar identidade no cenário político.
Eles observam que em 2004, Carlos Brito era deputado pelo PPS e seria um forte candidato a prefeito. Tinha perfil que se identificava com o então governador Blairo Maggi, conforme mostravam as pesquisas qualitativas, mas acabou "engolido" por Sérgio Ricardo, que disputou e perdeu. Fora do páreo, Brito perdeu forças e em 2006 não conseguiu se reeleger, apesar da boa votação. Para os donos da Mark, o candidato do PSD tem mais potencial de crescimento nas pesquisas, inclusive empurrado pela chapa forte de concorrentes a vereador. Tende a se beneficiar também se houver boa estrutura de campanha e fidelidade dos líderes do PSD, especialmente de Riva e de Daltro.

Avalone, Thelma, Nilson Leitão e Maluf, na convenção
Guilherme Maluf - Quanto a Maluf, o casal considera que o deputado pode sair das eleições como novo líder do PSDB, que não morreu na Capital, embora tenha perdido muitos filiados, inclusive históricos, e ocupantes de cargos eletivos. Chama a atenção para o voto fidelizado e atribui o fato do tucano aparecer em segundo lugar, embora empatado tecnicamente com Lúdio, por agir partidariamente e assumir um legado que vinha sendo sustentado pelo ex-prefeito Wilson Santos.
Destaca ainda o fato de Maluf ser de família honrada e tradicional de Cuiabá, mas não da cuiabania. Bárbara e Marco alertam sobre o risco da estratégia de colar Maluf à cuiabania, pois não se trata-se de um ribeirinho. Assim, observam, fica parecendo mais um estrangeiro visitando uma comunidade. Avaliam que, nesse ponto, todos os candidatos são iguais, ou seja, 100% cuiabanos. "O tema da cuiabania não vai decidir mais nada. A experiência passada, com Wilson explorando esse assunto como biombo para esconder temas mas relevantes, trouxe resultado frustrante", completa Marco Polo, numa referência ao desgaste que pesa até hoje sobre a imagem do ex-prefeito do PSDB.

Totó Parente, Lúdio, Silval e Faiad, junto na convenção
Lúdio Cabral - Para o casal, o candidato do PT Lúdio Cabral tem se revelado um vereador atuante, embora não tenha se firmado como referência. Pontua que o petista se absteve, por exemplo, de votar no processo de cassação do ex-presidente da Câmara Lutero Ponce e isso repercutiu mal porque não era o que a maioria esperava de alguém que se colocava como oposição. Vê Lúdio com apenas alguns flash de opositor, sem ação continuada e com poblemas internos para resolver, já que o PT está dividido em três grupos. Observa também que a aliança com o PMDB foi construída de última hora e o candidato precisa trabalhar essa unidade dos grupos. A candidatura de Lúdio suscita muitas perguntas e teses contraditórias e ainda sem respostas. Uma delas está na área da saúde. Enquanto o governador Silval Barbosa, que apoia o petista, trouxe a administração do setor por meio de OSS, Lúdio se manifesta radicamente contra esse serviço terceirizado. "E agora, se Lúdio for eleito, qual modelo vai prevalecer na saúde pública de Cuiabá?", perguntaa Bárbara Pinheiro.
Na avaliação do casal, se a presidente Dilma Rousseff viesse assumir a candidatura de Lúdio, inclusive estando no palanque, representaria um peso eleitoral fundamental, mas a petista já avisou que se manterá distante do processo eleitoral, até mesmo nas capitais, com exceção de São Paulo. Outras lideranças, como o vice-presidente Michel Temer (PMDB), pouco acrescentam na campanha para Lúdio, embora tenham peso em nível nacional.

Adolfo Grassi, do PPL
Adolfo Grassi - Quanto ao candidato majoritário Adolfo, do PPL, Bárbara e Marco avaliam que este cumpre a missão partidária, ou seja, de divulgar as ações de um partido novo e que decidiu lançar candidatos majoritários nas capitais e cujo discurso, por enquanto, é desconhecido. Adolfo é o "lanterna" nas pesquisas de intenção de voto dos 6 candidatos à sucessão em Cuiabá.

Procurador Mauro Lara, do Psol
Procurador Mauro Lara - Em relação ao procurador Mauro, que já disputou para prefeito e governador, os sócios do instituto Mark entendem que o candidato do Psol divide com Lúdio o voto dos "eternos" insatisfeitos. Enfatizam que, diferente de quando o PT surgiu, determinado a buscar formação partidária, o procurador Mauro não tem essa preocupação com o Psol, tanto que só aparece em época de campanha, o que faz com que seu nome não cresca mais nas pesquisas.
"Candidato salvador da Pátria, dono da verdade e mais honesto do que os demais, não convence mais. Depois de Lula, o sonho acabou. O eleitor está mais pragmático", diz Marco Polo.

Na convenção, Mauro Mendes e senadores Taques e Maggi
Mauro Mendes - Os donos do instituto de pesquisa, que acompanham várias candidaturas, inclusive com amostragens qualitativas, pontuam que o "grande mote" de Mauro Mendes, hoje favorito na corrida sucessória, foi a aliança "costurada" com PSB, PDT, PR e PPS, matendo no palanque o senador Pedro Taques e se reencontrando com o ex-governador e senador Blairo Maggi. "Parece encontro dos 3 tenores eruditos Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti, que cantaram juntos, em concertos, durante muitos anos", compara Marco Polo, para quem "o povo cuiabano mantém respeitabilidade às figuras de Maggi e Taques" e considera que os dois juntos dão credibilidade à candidatura de Mauro, conforme mostram as qualitativas. Marco e Bárbara destacam ainda que a orquestra está mais afinada porque o grupo tem outras figuras políticas de famílias tradicionais, como os deputados João Malheiros e Emanuel Pinheiro e Valtenir Pereira, que foi o federal mais votado na Capital em 2010.
Ainda em relação a Mauro Mendes, o casal observa que o empresário enfrenta nuances negativas por causa da mudança de partido (era do PR e foi PSB), das seguidas derrotas (a prefeito e a governador) e das idas e vindas dos apoios, citando como exemplo, o fato de em 2008 ter sido aliado do governador Silval; em 2010 adversário nas urnas e, agora, após uma reaproximação, tê-lo como adversário de novo. "A falta de firmeza partidária pode ser cobrado pelo eleitor. Aliás, por causa dessas mudanças, Mauro não conseguiu formar grupo", avalia Marco Polo.



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