Homens usavam a internet como principal meio para aliciar as vítimas. Eles também são suspeitos de estuprar as crianças e obrigá-las a manter relações entre si
Patricia Pereira
Dois homens foram presos em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), no momento em que entregavam uma câmera fotográfica para um menino de 12 anos. Conforme a polícia, o equipamento seria usado para a criança fotografar-se nua e enviar a imagem a eles. Com a dupla, a polícia encontrou 32 mil arquivos, entre fotos e vídeos, de abuso sexual infantil.
O Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) chegou até Edson Mariano Atanásio, 29 anos, e Waldomiro Rodrigues da Silva, 36 anos, depois que o pai de uma das vítimas procurou a delegacia. “Ele disse que descobriu que o filho dele conversava com um homem pelo Facebook e veio até a delegacia fazer a denúncia”, disse o delegado Amarildo Antunes. Os homens foram presos na última sexta-feira (19), mas foram apresentados à imprensa nesta quinta-feira (25).
Segundo a polícia, os suspeitos criavam perfis falsos no Facebook, como se fossem crianças, para ganhar a confiança das vítimas e então pediam imagens das vítimas nuas e usavam a câmera do computador. A dupla também participava de eventos onde havia muitas crianças, de acordo com o delegado. “Eles iam a encontros de escoteiros e de grupos religiosos”, afirmou Antunes. Além disso, os suspeitos ofereciam dinheiro a crianças de áreas pobres da RMC. “Eles ofereciam de R$ 5 e R$ 10 para que os meninos gravassem os vídeos”, relatou Antunes.
Os homens também são suspeitos de estupro de vulnerável. “Há vídeos deles mantendo relação com essas crianças. Sempre meninos de até 12 anos”, disse o delegado. “Em um dos vídeos eles estupram dois irmãos gêmeos e depois os obriga a ter relação entre si”, completou. Um dos homens presos é portador do vírus HIV, de acordo com a polícia.
Depois da prisão deles, nove vítimas foram identificadas, uma delas de apenas cinco anos. O delegado também afirma que Atanásio e Silva integram uma quadrilha nacional de abuso de crianças. “Eles trocam imagens com o país todo. Descobrimos que ele comprava imagens de uma pessoa do Rio de Janeiro por R$ 40”, disse.





