Mato Grosso viveu um longo período cinzento durante o qual o jogo do bicho era feito à luz do dia, com suas extrações diárias transmitidas pelo rádio e pela televisão. Em dezembro de 2002, a operação Arca de Noé botou fim à jogatina. Quando isso aconteceu o governo não levou – nem poderia ter levado – em conta que aquela contravenção gerava empregos em Cuiabá e nos demais municípios, para idosos, deficientes físicos e mulheres e homens sem qualificação profissional.
Em nome do social, não se pode aceitar o ilegal. Essa deve ser a máxima do Estado no trato de questões complexas que envolvem crime e tragédias humanas, como é o caso que se repete todos os dias nas calçadas da rua Professora Tereza Lobo, no bairro Consil, em Cuiabá, onde uma legião de usuários de crack, formada por aproximadamente 42 homens e mulheres, e inclusive menores, promove espetáculo deprimente e degradante ao ser humano, com suas roupas sujas e esfarrapadas, alguns descalços e, todos, indistintamente, abandonados pelo poder público em todas as suas esferas.
O consumo dessa droga pesada na cracolândia da Tereza Lobo é problema social que exige imediata ação transversal do governo com a prefeitura e o Ministério Público e apoio de instituições que atuam no setor. A recorrência dessa situação atesta a incompetência policial em conter o tráfico de droga chamado formiguinha, que abastece os usuários naquele canto da região central da quase tricentenária cidade de Pascoal Moreira Cabral.
Na segunda-feira desta semana o coronel Nerci Dinardi assumiu o comando geral da Polícia Militar prometendo combater o tráfico de drogas. Se realmente ele quiser pôr em prática parte do que disse, não precisará mover céus e terra. Bastará monitorar o tráfico de crack na Tereza Lobo. O crime é corriqueiro naquela rua e alimentado pelo vácuo do Estado, que faz vistas grossas à compra da droga com o dinheiro que seus dependentes ganham pedindo esmolas no terminal rodoviário e nos semáforos naquelas imediações.
Cortar o elo do traficante com o consumidor é suficiente para desabastecer a Tereza Lobo. Quanto aos usuários, a polícia nada pode fazer; mas o Estado, sim. Além do mais, o desmantelamento dessa cracolândia também serviria para testar a real capacidade de atendimento das instituições sociais que recebem polpudos recursos oficiais e permanente colaboração financeira dos cidadãos e empresas.
Muitas instituições que atuam na área de atendimento a dependentes de substâncias químicas e das drogas de modo geral são sérias e respeitáveis, contando com reconhecimento popular. Porém, algumas precisam passar pelo crivo das autoridades porque funcionam de modo atípico, promovendo pedágios em rodovias e pedindo dinheiro em cruzamentos urbanos.
Cuiabá espera que a polícia bote fim ao tráfico de crack na Tereza Lobo. Igualmente, aguarda pela triagem das organizações oficialmente fundadas para atendimento a usuários de drogas.
Em nome do Social, não se pode aceitar o ilegal. Essa deve ser a máxima do Estado
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Medidas urgentes
janeiro 25, 2013
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