Quatro pessoas de uma mesma família foram presas acusadas de pedofilia contra uma adolescente de 13 anos em Fortaleza. A jovem era vítima de abuso desde os oito anos de idade, segundo a Polícia Civil.
De acordo com a titular da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), delegada Ivana Timbó, o pai da menina foi preso na última sexta-feira, 18, quando compareceu à delegacia ao saber que havia um mandado de prisão expedido contra ele. O tio e os dois primos foram presos ontem, no Mondubim e Canindezinho.
A delegada explica que as quatro prisões preventivas foram pedidas após denúncia de uma vizinha da adolescente, que foi procurada pela vítima. “A menina esclareceu tudo com veemência. Os vizinhos também deram informações que corroboraram com as declarações dela. Com base nisso, representamos pela prisão preventiva das quatro pessoas e o Poder Judiciário acatou”. Os acusados, que têm entre 30 e 45 anos, estão presos na Delegacia de Capturas e Polinter (Decapol).
A adolescente morava com o pai, a mãe e irmãos no bairro Parque Santa Rosa. Segundo a delegada Ivana Timbó, os outros filhos do casal não sofreram violência sexual. O tio e os primos visitavam com frequência a casa da adolescente. “Eles aproveitavam quando a mãe (da vítima) saía e abusavam da menina”. Segundo Ivana, a garota está sendo assistida em um abrigo. A mãe da menina deve ser ouvida até o fim da semana.
Trauma
Crianças e adolescentes expostos a violência sexual por longo período têm chances de desenvolver problemas comportamentais por toda a vida, segundo alerta a psicóloga Ângela Caminha, do Centro de Referência Especializada da Assistência Social (Creas). “Quatro anos de uma situação de abuso é muito para uma criança. É possível que deixe sequelas que devem ser trabalhadas.”Para Ângela, a família é figura essencial para que vítimas de abuso superem o trauma e reflete positivamente na saúde emocional da criança ou adolescente. “No momento em que ela (vítima) sente que a família acreditou no relato dela e a apoiou, emocionalmente ela já se sente mais segura e protegida. O processo de superação é mais fácil.”
A assistente social do Creas Alexsandra Sorelly explica que não só as vítimas de abuso, mas também os familiares devem receber acompanhamento de vários profissionais. “O acompanhamento é sistemático; ocorre até onde a gente achar necessário e identificar que existiu de alguma forma uma superação”, relata. “Eu só encerro (o acompanhamento) quando vejo que a criança já está superando a situação de abuso e tem condições de caminhar com seus próprios pés”, completa Ângela.
ENTENDA A NOTÍCIA
Há quatro anos, adolescente era vítima de abuso sexual pelo pai, tio e dois primos, segundo a Polícia. Os quatro foram presos após denúncias de uma vizinha da jovem. Mãe da vítima ainda será ouvida pela Dececa.






