Da Redação
Em ritmo de reuniões intensas com seu secretariado, o prefeito Mauro Mendes (PSB) já identificou cerca de R$ 200 milhões em restos a pagar herdados da antiga administração. O diagnóstico, tem colocado freio nos planos do gestor, que participou na tarde de ontem (22) da inauguração das quatro primeiras obras em seu mandato.
No clima de contenção de despesas, Mendes evita falar em novos compromissos além dos assumidos durante sua campanha eleitoral. As obras inauguradas, duas praças e duas unidades do Programa de Saúde da Família (PSF) estão localizadas nos distritos de Aguaçu e Nossa Senhora da Guia e foram realizadas durante a gestão Chico Galindo (PTB) em parceria com a iniciativa privada. “Estamos aqui institucionalmente. Não participamos, mas a prefeitura participou”, disse.
À população presente, deixou apenas a esperança de retornar para inaugurar ações iniciadas e concluídas em sua gestão. “Vamos trabalhar para que nos próximos meses todas as ações que estamos idealizando comecem a surtir efeito”, ressaltou. O prefeito já recebeu o diagnóstico da situação encontrada por alguns de seus secretários e mostrou-se desanimando com o que encontrou. “Não adianta ficar olhando para o passado. Temos que compreender a realidade e a partir daí trabalhar para poder produzir os resultados, não com o viés de criticar ou de justificar, mas sim de entender o tamanho do desafio”, explicou.
Diante da situação financeira, para empreender seus planos, Mendes segue para Brasília no final do mês onde, além de participar da reunião da presidente Dilma Rousseff (PT) com todos os prefeitos, percorrerá ministérios e secretarias executivas em busca de captar recursos e projetos do governo federal. “Hoje Cuiabá não tem receitas que sejam capazes de responder pelo tamanho do desafio e necessidade, portanto, vamos depender muito do governo federal”, ressaltou. Com o objetivo de otimizar essa busca ativa junto à União, o prefeito criou em seu gabinete um Núcleo de Projetos que conta com a atuação de cinco profissionais.
Ao retornar da capital federal, Mendes realizará uma reunião gerencial com sua equipe no início de fevereiro onde discutirá as metas, planos de ações e diretrizes para os próximos seis meses. Também está prevista para o próximo mês a conclusão do estudo que determinará o futuro do escritório de Cuiabá em Brasília, implantado na gestão passada.
De acordo com o prefeito, o objetivo é entender o seu real funcionamento e os resultados produzidos para definir se a estrutura será mantida, reformatada ou excluída do staff municipal. Além disso, o prefeito, que é fruto da iniciativa privada, garante que já está buscando parcerias com o setor, das mais simples até as mais ousadas. Ele garante que já tem conversado com empresários para contribuir na manutenção de rotatórias e avenidas e também pede ajuda da população. “Praticamente 60% das portas das casas das pessoas estão com mato, lixo. Limpando a porta de casa, não jogando lixo em terrenos baldios, o cidadão já vai estar contribuindo”, afirmou.
A preocupação com a situação financeira da Prefeitura vai além do orçamento. O montante de restos a pagar impacta na disponibilização de recursos e pode engessar os secretários que, a pedido do prefeito, tem evitado falar sobre o diagnóstico de suas pastas. O que se sabe é que a meta é de contenção. Isso porque o maior desafio pode não ser simplesmente ajustar os projetos à receita real, mas sim, ter que utilizá-la na correção e readequação de projetos já empenhados. Sem querer jogar a culpa em Galindo, a bronca dos gestores municipais acaba sobrando para a população. O discurso que se prega, nesse momento, é de que os cidadãos devem ser mais comprometidos com o pagamento de impostos.





