O deputado estadual Guilherme Maluf acredita que o partido passa por uma reestruturação na Capital e destaca que, caso eleito, priorizará a saúde e a mobilidade urbana
GERALDO TAVARES/DC
Nome: Guilherme Antônio Maluf
Estado civil: Casado
Filhos: 3
Profissão: Médico
Natural: Cuiabá (MT)
Idade: 48 anos
RENATA NEVES
Da Reportagem
Ex-vereador por Cuiabá e deputado estadual de segundo mandato, Guilherme Maluf é pré-candidato do PSDB à prefeitura de Cuiabá. Apesar do desgaste político sofrido pelo partido, principalmente após a saída do ex-prefeito Wilson Santos, ele acredita que conseguirá viabilizar sua futura candidatura.
O fato de pertencer a um partido de oposição ao governador Silval Barbosa (PMDB) também não será, em sua avaliação, empecilho a uma eventual gestão tucana na prefeitura.
Com apoio da Executiva nacional da sigla, sua pré-candidatura foi reforçada após a visita recente do presidente tucano, deputado federal Sérgio Guerra, e do senador mineiro Aécio Neves à Capital.
Decidido a participar do pleito, Maluf afirma que não abrirá mão de seu projeto e descarta a possibilidade de vir a compor como vice a chapa encabeçada por um candidato de outro partido. Espera ainda contar com o apoio do PTB, embora o atual prefeito, Chico Galindo, ainda não tenha decidido se irá se candidatar à reeleição.
Médico por formação, o pré-candidato afirma que a saúde deve ser tratada como prioridade e que um prefeito deve se preocupar mais “com seu povo” do que com a realização de obras. Ressalta ainda a importância de discutir os problemas da cidade com os próprios cidadãos para apontar soluções.
Diário de Cuiabá - O senhor colocou seu nome à disposição do partido para disputar candidatura à prefeitura de Cuiabá. Sua pré-candidatura já está certa dentro do partido?
Guilherme Maluf – Sim! Meu nome já está colocado e tenho o aval da Nacional. Isso é muito importante, até porque muitas vezes você faz um projeto regional que não é compatível com as orientações da Executiva nacional, então, pelo contrário, a Nacional está nos estimulando muito até porque historicamente o PSDB é forte nessa região, especialmente na questão dos presidentes. Nós tivemos duas vitórias. Então, minha pré-candidatura está colocada e consolidada.
Diário – Qual foi a orientação da Nacional para Cuiabá?
Maluf – A principal orientação é construir candidaturas nas capitais e nas cidades acima de 100 mil habitantes, dando preferência àquelas onde o PSDB tem histórico ou já tem administração. Aqui em Cuiabá nós temos esse histórico da gestão do PSDB.
Diário – O PSDB saiu enfraquecido das últimas eleições estaduais. Como o senhor avalia a atual situação do partido na Capital?
Maluf – O partido está sendo reconstruído em nível estadual e em nível da Capital, também. Concordo que nós viemos de algumas derrotas eleitorais em nível de Estado. Isso enfraqueceu o partido, mas sempre tivemos candidaturas. Então, por menor que tenhamos nosso quadro, hoje temos a possibilidade de concorrer em pelos menos 50 municípios do Estado e devemos, acredito eu, dobrar ou triplicar o número de prefeituras. Vamos disputar candidatura em cidades-polos, como Cuiabá, Cáceres, Rondonópolis, Barra do Garças. Sinop ainda não sabemos. Talvez iremos para a oposição!
Diário – O último prefeito eleito pelo PSDB em Cuiabá foi Wilson Santos, que deixou a prefeitura com grande índice de rejeição. O senhor acha que isso pode prejudicar sua pré-candidatura e futura candidatura?
Maluf – Acho que isso pode influenciar, mas acho que minha futura candidatura pode ser viável, uma vez que a população personaliza muito o gestor. O PSDB é muito maior que Wilson Santos ou que qualquer outro gestor do partido.
Diário – Com quais partidos o PSDB está conversando para compor uma possível aliança?
Maluf - O PSDB está mais próximo de alguns partidos e mais distantes de outros, especialmente aqueles que já têm proposta de candidatura própria. Temos, historicamente, alguns partidos que já caminham conosco, como PTB, DEM e PPS. Eu acredito que, conforme evoluir essa pré-campanha, estes partidos vão acabar se aglutinando, pois já têm o histórico de estarem juntos anteriormente. Mas nós também temos conversado muito com partidos pequenos, que conseguiram formatar chapas de vereadores com expressão eleitoral.
Diário – Quais são esses partidos?
Maluf – PTdoB, PRP, PRB e PSDC, por exemplo.
Diário – O PTB tem como possível pré-candidato o prefeito Chico Galindo. Como ficará a composição com o partido, caso ele decida disputar candidatura?
Maluf – Bom, até o momento ele tem se colocado como não-candidato. Nós deixamos o prefeito muito à vontade se ele quisesse apresentar uma proposta de projeto, mas ele nunca apresentou. Hoje, o PSDB já está consolidado com a nossa proposta e nós vamos levar adiante nosso projeto. Gostaríamos de ter o PTB conosco, até porque o partido chegou ao poder junto com o PSDB. Mas se o PTB também apresentar um projeto, é possível que nós caminhemos em um projeto e o PTB, com outro.
Diário – Existe a possibilidade de o senhor vir a compor como vice a chapa encabeçada por outro candidato?
Maluf – Não! Não abro mão da minha pré-candidatura e futura candidatura.
Diário – Como o senhor avalia a gestão do prefeito Chico Galindo?
Maluf – É uma gestão de continuidade do governo Wilson Santos. A algumas ações ele deu continuidade, noutras ele fez enfrentamento que o Wilson não fez. Por exemplo: ele deu continuidade à política educacional do Wilson, mantendo o cursinho vestibular, mantendo a Bolsa Universitária. Fez alguns enfrentamentos que acredito que possam ter resultados positivos, como essa questão da concessão da água. Também procurou mudar a política tributária de Cuiabá, o que gerou certo desgaste pra ele, pois elevou o IPTU de Cuiabá. Enfim, tem alguns temas com os quais ele fez enfrentamento que desgastaram sua imagem junto à população e outros dos quais acredito que ele vai colher resultados daqui para frente.
Diário – O fato de pertencer a um partido de oposição ao governo Silval Barbosa (PMDB) pode vir a prejudicar sua gestão, caso seja eleito prefeito?
Maluf – O alinhamento partidário sempre é utilizado como “mel na boca” dos eleitores, mas eu acredito que não prejudica, até porque, como deputado, tenho votado algumas matérias de interesse de Mato Grosso acompanhando o PMDB. Não faço política com radicalidade. Além disso, entendo que o Silval Barbosa não tem esse perfil de querer afastar, vamos dizer assim. Lógico que ele deve ter suas preferências pelo partido dele, mas não que vá prejudicar a nossa Capital.
Diário - Se for eleito prefeito, como o senhor pretende trabalhar para preparar Cuiabá para a Copa do Mundo de 2014?
Maluf – Quero dizer, em primeiro lugar, que prefeito tem que ter uma especialidade: cuidar de gente. Prefeito não é para cuidar de obras, e sim do nosso povo. Muita gente foca muito a questão de obras, mas se a gente não cuidar do povo não vai ficar legado nenhum. Temos que criar alternativas para melhorar a qualidade de vida do cidadão de Cuiabá. Esse talvez seja o maior legado da Copa do Mundo!
Diário – Se tiver a oportunidade de administrar Cuiabá, o senhor pretende priorizar ações em quais áreas?
Maluf – Se for eleito, vou fazer uma coisa que o gestor público tem que aprender a fazer em nosso país: dar continuidade às coisas boas. Apresentar suas propostas, sem dúvida nenhuma, mas não interromper as boas ações. Eu, certamente, daria prioridade à saúde, até porque é a área na qual trabalho e com que tenho envolvimento maior. Minhas ações seriam muito voltadas para a saúde e para a mobilidade urbana.
Diário – O que o senhor teria de sugestão para essas áreas?
Maluf – Tem alguns projetos que estamos estudando. Por exemplo, a remodelação da rede de atendimento de urgência da Capital, cobrando do Estado que ele tenha um pronto-socorro estadual ou uma participação mais efetiva em relação ao pronto-socorro de Cuiabá. Faria uma integração com Várzea Grande, afinal falar em saúde sem integrar Cuiabá e Várzea Grande é “chover no molhado”. Qualquer gestor que assumir essa prefeitura tem que entender que se trata de uma região metropolitana. Então, as políticas de saúde e de resíduos de Cuiabá têm que estar em harmonia com as de Várzea Grande, senão estoura uma epidemia de dengue aqui e outra lá, por exemplo, e só ações isoladas não vão levar a lugar nenhum. Eu copiaria algumas experiências positivas que já vi. Por exemplo, temos apenas um centro de especialidade em Cuiabá e temos algumas policlínicas com especialistas. Eu criaria, a exemplo do que o Serra e o Alckmin fizeram, núcleos de especialistas. Ao menos quatro, um em cada polo de Cuiabá. Também criaria uma unidade de referência para a mulher. É possível fazer isso. No local teria um atendimento integrado e a mulher poderia fazer seus exames, sua consulta e marcar sua cirurgia. Isso reduziria os índices de câncer de colo de útero e resolveria a questão da maternidade de alto risco, que é um grande problema. Eu também estudaria uma forma, em parceria com algumas instituições, de criar uma unidade de referência da criança. Vou dar um exemplo: temos a Santa Casa que tem UTI infantil e está ociosa. Por que não fazer uma parceria e levar o pronto-socorro da criança para a Santa Casa? E outras ações que eu acredito que poderiam ser tomadas na área da saúde visando à questão da prevenção porque Cuiabá tem hoje alta incidência de pacientes hipertensos e níveis elevados de obesidade. Então, focar na prevenção é muito importante. Na área de mobilidade urbana, teríamos que estimular muito o transporte coletivo, em detrimento do transporte individual. Cuiabá está pagando um preço caro por ter crescido muito e sem estrutura. Sei que o Estado já está com a bandeira de criar o tronco do VLT, mas teremos várias avenidas onde podem ser criados corredores exclusivos de ônibus. Acho muito importante estimular o transporte coletivo e propor algumas mudanças no sentido de diminuir o número de acidentes. A morte por acidente de trânsito está em níveis muito elevados e o número de pessoas aleijadas por acidentes de moto em Cuiabá é muito grande. Temos que criar políticas para diminuir o número de acidentes. Lógico que isso passa por novas vias e pavimentação de qualidade. Então, tudo isso viria melhorar a mobilidade urbana em Cuiabá.
Diário – Como avalia a diferença entre o senhor e os demais pré-candidatos que se apresentam até o momento?
Maluf – Primeiro, que eu não me apresento como salvador da pátria. Cuiabá não pode cair no conto de que haverá uma pessoa sem histórico que vai “cair de paraquedas” e resolver os problemas da cidade. Eu construí minha carreira política: fui vereador por Cuiabá e sou deputado de segundo mandato. Conheço muito bem Cuiabá, seus problemas e sei como manter uma boa relação com a Câmara Municipal. Isso é muito importante. Também sei como manter um relacionamento com a Assembleia. Então, eu conseguiria transitar muito bem nos legislativos Municipal e Estadual. Isso é um grande diferencial. http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=410683






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