Família Jungreis foi amaldiçoada por denunciar abuso de filho com problema mental por membro da comunidade judaica de Nova York
The New York Times |
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O primeiro choque aconteceu quando Mordechai Jungreis descobriu que seu filho adolescente com deficiência mental estava sendo molestado em uma casa judaica de banhos ritualísticos no bairro do Brooklyn. O segundo aconteceu quando o casal Jungreis reclamou e o homem que acusaram de abuso foi preso. Polêmica: Israel enfrenta crise sobre papel dos ultraortodoxos na sociedade
Velhos amigos começaram a passar direto por eles nas ruas do bairro. O proprietário do apartamento pediu o imóvel de volta. Mensagens anônimas lotaram sua secretária eletrônica, amaldiçoando os Jungreis por entregar um companheiro judeu. E, segundo ele, a mãe de uma adolescente cadeirante confrontou Jungreis dizendo que "o mesmo homem havia molestado sua filha e nem por isso ela havia relatado o crime".
Foto: NYT Mordechai Jungreis (D) caminha ao lado de filho que tem problema mental no bairro do Brooklyn Por causa de sua cooperação com a polícia e por falar do abuso de seu filho, Jungreis, 38 anos, viu-se diante de um problema comum na insular comunidade hassídica.
Houve lampejos de mudança à medida que um pequeno número de judeus ultraortodoxos, assumindo antigas normas religiosas e culturais, começaram a relatar casos de abuso sexual contra membros de suas próprias comunidades. Mas aqueles que se manifestam enfrentam intensa intimidação dos vizinhos e das respectivas autoridades rabínicas para que voltem atrás.
"Tente viver por um dia com toda a dor que eu estou vivendo" disse Jungreis, diante do novo apartamento que aluga nos arredores de Williamsburg. "Em dois anos, ninguém da comunidade hassídica da região veio ver meu filho e lhe oferecer uma palavra boa que fosse. Ninguém demonstrou misericórdia para com ele nas ruas".
Nova York tem cerca de 250 mil judeus ortodoxos - a maior comunidade fora de Israel, que cresce rapidamente devido à sua alta taxa de natalidade. A comunidade está concentrada no Brooklyn, onde muitos dos ultraortodoxos são hasidim, fervorosos seguidores de um movimento espiritual que começou na Europa no século 18 e aplica a lei judaica a todos os aspectos da vida.
Suas comunidades, chefiadas por líderes dinásticos chamados rebbes, se esforçam para preservar costumes centenários e resistir às influências contaminadoras do mundo exterior.
Estudiosos acreditam que as taxas de abuso no mundo ultraortodoxo são aproximadamente as mesmas que na população geral, mas durante gerações a maioria das vítimas ultraortodoxas manteve silêncio, com medo de serem estigmatizadas em uma cultura onde os sexos são rigorosamente separados e falar sobre o ato sexual é tabu. Conselheiro
Autoridades rabínicas "recomendam que você fale sobre a questão com seu rabino antes de tomar qualquer decisão definitiva sozinho", disse o rabino Chaim Zweibel, presidente da Agudath Israel, uma poderosa organização ultraortodoxa.
A intimidação sofrida por quem se manifesta raramente é documentada. Ainda assim, duas semanas atrás uma mulher hassídica de Kiryas Joel, Nova York, detalhou ao Tribunal Criminal a pressão que sofreu depois de dizer à polícia que um homem hassídico havia molestado seu filho.
"Eu me sinto 100% ameaçada e com muito medo", ela afirmou. "Estou preocupada com as possíveis consequências disso tudo. Mas eu tenho de proteger meu filho e fazer o que é certo."
Foto: NYT Mordechai Jungreis passou a ser mal visto por entregar companheiro judeu A polícia, auxiliada por uma câmera de segurança do motel, descobriu que o homem era Joseph Gelbman, 52 anos, que trabalhava como cozinheiro na escola de meninos mantida pela seita hassídica Vizhnitz. Ele foi preso e processado. Os pais do menino foram intimidados pela comunidade.
Três dias antes do julgamento, o menino foi expulso da escola. Quando a mãe protestou, o diretor ameaçou acusá-la de abuso de crianças.
O Ministério Público, contra os desejos dos pais do menino, encerraram o caso com um acordo. Gelbman recebeu liberdade condicional por três anos após se declarar culpado por ter colocado em perigo o bem-estar de uma criança. *Por Sharon Otterman e Ray Rivera
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