
A Câmara Municipal de Cuiabá parece decidida a consolidar o apelido que o próprio comportamento dos vereadores lhe devolveu: “Casa dos Horrores”. Após o fiasco da CPI da CS Mobi — que virou espetáculo de vaidades entre Maysa Leão e Dilemário Alencar — o Legislativo agora tenta criar uma “CPI da CPI”, num movimento interpretado como interferência direta do prefeito Abílio Brunini. Ignorando pareceres técnicos do Tribunal de Contas e decisões do Tribunal de Justiça que atestam a regularidade da concessão, os vereadores preferem atender aos impulsos políticos de um prefeito cada vez mais desorientado.
O próprio vereador Daniel Monteiro denunciou publicamente essa ingerência de Abílio, afirmando que o prefeito chegou ao ponto de interferir até na escolha dos membros da nova CPI — um retrato fiel da submissão da Câmara. Segundo ele, a separação entre os poderes em Cuiabá “não existe”: há apenas um Executivo que invade o prédio do Legislativo para ditar o que os vereadores devem fazer. O episódio escancara o esvaziamento institucional da Casa, transformada em palco de conveniências e obediência cega, enquanto o prefeito, perdido em vídeos de TikTok, tenta mascarar uma gestão marcada pela inoperância, incompetência e despreparo. Para os cuiabanos, resta a amarga sensação de ver sua cidade administrada por quem confunde autoridade com autoritarismo e governo com autopromoção.









