Há trinta dias internado no Hospital Regional Público da Transamazônica, em Altamira, o pequeno Danillo Augusto Prado da Silva, de cinco anos, ainda hoje aguarda por um leito em uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) pediátrica para ser transferido para Belém. Sem que os médicos tenham conseguido fechar o diagnóstico da criança no município, Danillo está em coma induzido, em estado grave e a família teme que o pior aconteça antes mesmo que o leito seja disponibilizado.
De acordo com o motorista Francisco Almeida da Silva, pai de Danillo, o filho estava bem quando, de repente, teve febre e já chegou ao hospital Regional, na tarde do dia 25 de junho, com convulsões. Desde então, a família aguarda por uma resposta.
“No dia que ele deu entrada ele já entrou em coma e já ficou internado. Está internado até agora e a situação dele é muito grave”, avalia. “Os médicos estavam tentando descobrir o que ele tinha, mas não conseguiram até agora, então pediram um leito pra que ele fosse para Belém. Desde o dia 16 de julho ele está cadastrado e ainda não entraram em contato com a gente”.
GRAVIDADE
GRAVIDADE
Com o filho já há um mês no hospital, Francisco acompanha impotente pela piora do quadro de Danillo que, segundo ele, está em um estado cada vez mais grave. Sem a perspectiva de que o leito seja liberado, o pai se desespera ao pensar no futuro da criança. “Ele já está um mês dentro do hospital e a situação é cada vez pior, cada vez ele tem mais convulsões. A situação dele é complicada mesmo”, emociona-se. “A gente tem medo que ele não aguente tanto tempo assim. Agora que ele já está debilitado, está cada vez mais complicado. Já está muito tarde, esse leito tinha que vir logo”.
Na central de leitos, portões fechados
Enquanto Francisco acompanha a situação do filho em Altamira, na capital paraense é a tia do garoto, Maria do Carmo Miranda, que peregrina em busca de uma resposta. Com cópias de laudos médicos que apontam o estado grave e o risco de morte pelo qual a criança está passando, ela já foi por três vezes à central de leitos no Departamento de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) sem que recebesse uma resposta positiva. “Os médicos [em Altamira] estão fazendo de tudo até agora, mas, pela gravidade do caso, acharam melhor pedir a transferência dele. Ele está cada vez pior e os médicos não podem fazer mais nada. Meu sobrinho não merece morrer”, emociona-se. “Na primeira vez que estive na central disseram que o nome dele não estava cadastrado no sistema. Na segunda vez, disseram que o nome dele já estava aguardando, mas esse leito nunca veio”.
Na terceira tentativa de obter uma resposta satisfatória na central de leitos em Belém, na manhã de ontem, Maria do Carmo encontrou as portas do Departamento de Regulação fechadas. Sem nenhum aviso que indicasse o motivo, a tia da criança só obteve informação após bater no portão. Da entrada, um segurança informou à Maria que não estariam fazendo atendimento ao público porque havia sido expedido ponto facultativo. “Deveria ser mantida pelo menos uma pessoa para atender porque é um serviço que é urgente. Esse leito precisa sair o mais rápido possível, antes que seja tarde demais”, lamentava, ao constatar que o percurso de Ananindeua até o departamento, no bairro do Marco, resultaria apenas na posse de um papel com alguns números. “Ele disse que eu teria que entrar em contato com a central por telefone”.
TELEFONE
Ainda em frente ao órgão e com o celular em mãos, Maria do Carmo tentou contato com cada um dos cinco números de telefone disponibilizados. Quando não caíam no fax, a mensagem ouvida era a de que não foi possível completar a chamada. “É difícil a gente ver um direito nosso escorregar pelas mãos sem que a gente possa fazer nada”, refletia Maria do Carmo. “O atendimento presencial ao público só volta na segunda-feira e a gente sabe que cada minuto conta para o meu sobrinho”.
TELEFONE
Ainda em frente ao órgão e com o celular em mãos, Maria do Carmo tentou contato com cada um dos cinco números de telefone disponibilizados. Quando não caíam no fax, a mensagem ouvida era a de que não foi possível completar a chamada. “É difícil a gente ver um direito nosso escorregar pelas mãos sem que a gente possa fazer nada”, refletia Maria do Carmo. “O atendimento presencial ao público só volta na segunda-feira e a gente sabe que cada minuto conta para o meu sobrinho”.
Em nota, a Sesma disse que Danillo está inscrito na Central de Leitos desde o dia 16 de julho, com o número de cadastro 82168363, do Sistema de Regulação de Leitos (Sisreg).
“A Secretaria informa ainda, que entrou em contato com a Fundação Santa Casa e o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, que contam com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica, mas os dois hospitais informaram que não têm vagas disponíveis”.
Sobre a Central de Leitos, a Sesma disse “que esta funciona em regime de plantão 24 horas, para atendimento ao público por telefone. E, em alguns períodos, em função da grande demanda, o atendimento pode ficar um pouco mais demorado”.
“A Secretaria informa ainda, que entrou em contato com a Fundação Santa Casa e o Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, que contam com leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica, mas os dois hospitais informaram que não têm vagas disponíveis”.
Sobre a Central de Leitos, a Sesma disse “que esta funciona em regime de plantão 24 horas, para atendimento ao público por telefone. E, em alguns períodos, em função da grande demanda, o atendimento pode ficar um pouco mais demorado”.
(Diário do Pará)





