Sete minutos. Este é o tempo médio necessário para adquirir a confiança de uma criança, por meio da internet, e induzi-la a revelar dados pessoais ou suas próprias imagens, da segurança provida de uma tela de computador, muitas vezes não rastreável. A informação, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, ganha ainda mais força no país que ocupa o quarto lugar do mundo em crimes contra a criança por meio da rede mundial de computadores e que é maioria absoluta em sites de relacionamento como o Orkut, onde 80% dos abusos são realizados. Somente em Pernambuco, são dez inquéritos instaurados pela Polícia Federal desde o início do ano passado e que ainda estão em andamento.
No Brasil, são registradas mais de 2,5 mil denúncias de crimes cibernéticos do gênero todos os dias, em geral, envolvendo crianças entre 4 e 12 anos, em que as meninas são imensa maioria: a proporção é de 10 do sexo feminino para cada 1 do mesculino. Abordagens com cunho supostamente inocentes são mais comuns do que a maioria dos pais possam pensar. A estudante do 8º ano do ensino fundamental, C.G.F.M, moradora, de 11 anos, de Ouro Preto, em Olinda, já convive com convites de desconhecidos, em especial de homens mais velhos, há alguns anos. “Não só comigo. Várias amigas minhas já receberam convites para amizade, no Orkut, de gente dizendo que queria conversar, mas a gente rejeita e deixa para lá”, conta. O pai, A.M.A.J., diz que acompanha de perto o acesso da filha, em especial no orkut, onde também mantém uma conta, de forma a identificar qualquer questão suspeita. “Sempre converso e oriento, mas também tenho as senhas de acesso para o caso de suspeitar de algo, mas, graças a Deus, até hoje não tivemos problemas. Ela é consciente”, garante.
Pensando em evitar este tipo de abordagens, a PF realiza nesta terça-feira (8), Dia Internacional da Internet Segura, as duas primeiras palestras do ano, com pais e alunos de dois colégios da Região Metropolitana do Recife, tendo como objetivo a instrução efetiva das condutas de segurança necessárias para evitar que os jovens sejam vítimas de possíveis abusadores na web. Além de descrever o perfil do pedófilo, os agentes da instituição vão apontar comportamentos de uso da internet das crianças que podem ser consideradas vulneráveis a este tipo de ação. Serão 700 vagas no Colégio Motivo, em Boa Viagem, no Recife, e outras 900 na Escola Municipal Professor Antonio Benedito da Rocha, no Cabo de Santo Agostinho, divididos em dois horários, às 8h e às 14h. “Este tipo de iniciativa será realizada sempre que houver necessidade, basta que a escola ou empresa que queira receber a ação encaminhe um ofício à PF e entre em contato pelo telefone 2137-4076 para realizar o agendamento”, garantiu o chefe de comunicação da instituição, Giovani Santoro.
De acordo com a Associação Italiana para a Defesa da Infância e o FBI, o Brasil movimenta cerca de R$ 4 milhões por ano no mercado negro de pornografia infantil. No mundo, esse montante chega até 10 bilhões de dólares. Ao todo, mais de 220 milhões de crianças e adolescentes sofreram algum tipo de violência sexual, física ou virtual. Apenas no país, uma criança é violentada a cada oito minutos.
Como agem – Entender os meios de abordagem de um pedófilo é, talvez a forma mais eficiente de evitar que seu filho seja vítima de algum problema do gênero. Segundo o perfil traçado pela Polícia Federal, 99% dos casos são realizados por homens, de 25 a 35 anos, que se aproximam das crianças por meio de seus interesses divulgados na internet.
Mesmo contra as estatísticas, o jovem MHF, estudante do 9º ano e morador de Casa Caiada, em Olinda, também foi vítima de abordagens de potenciais pedófilos, mas em um ambiente em que está ainda mais vulnerável. A suposta mulher de 35 anos começou a conversar com ele enquanto ele participava de um jogo de guerra online, que permite interação entre os jogadores, que, normalmente, também se adicionam no MSN Messenger. “Ela perguntava de quais outros jogos eu gostava e o que eu gostava de fazer. Depois, perguntou se eu tinha namorada ou se poderia sair com ela, então disse que precisava ir embora e a bloqueei”, lembra.
Casos do gênero acabam sendo recorrentes em redes de relacionamento, como o Orkut, em que os interesses da criança ficam expostos em comunidades e há uma postagem impensada de fotografias. Não se deve, em hipótese nenhuma, deixar o álbum das crianças abertas ao público, mas restrito aos conhecidos. Mesmo assim, é necessário não postar fotos em que elas apareçam com as fardas do colégio ou em frente a residências ou carros da família, que ajudem a localizar o endereço. “O problema é que, de posse de mais informações pessoais, esses criminosos passam a convencê-las a confiar na pessoa e acabam se exibindo em webcam, por exemplo. A partir daí, eles as ameaçam com a postagem do material na rede ou mesmo dizendo que vai contar tudo aos pais da criança”, alerta Giovani Santoro.
Segundo pesquisa da Trend Micro, empresa de segurança em informática dos Estadus Unidos, em todo o mundo o comportamento dos pedófilos se repete quanto à abordagem. Para se ter uma ideia, entre as frases mais utilizadas durante a conversa inicial com a criança estão ‘Onde fica o computador em casa?’, ‘Qual sua banda/filme favorita(o)?’, ‘Eu conheço alguém que pode transformar você em modelo’ e ‘Você parece triste, o que aconteceu?’. “Todas essas frases são formas de se tornar mais próximo, amigo da criança e envolvê-la emocionalmente. Por isso, é preciso haver bastante conversa entre pais e filhos para que ao menor sinal de conversa com um estranho, haja uma supervisão de perto”, conclui Santoro.
Por Ed Wanderley






0 Comments:
Postar um comentário
Para o Portal Todos Contra a Pedofilia MT não sair do ar, ativista conclama a classe política de MT
Falta de Parceiros:Falsos militantes contra abuso sexual e pedofilia sumiram, diz Ativista
contato: movimentocontrapedofiliamt@gmail.com